Poema “renegado”, escrito há séculos, que às vezes me
vem à cabeça
É preciso ser justo
na medida implacável do tempo
presente
Não apenas colher frutos
mas também compreender
a existência das sementes
o gesto
a elaboração
o movimento da matéria
Proclamar princípios
não é ainda
mover a pedra fundamental
muito menos
encaixá-la com as demais peças
do edifício solto no ar
Semear não basta
há o momento da rega
E um gesto
não é o significado
do outro gesto
na medida do tempo presente
Se compreendo porém
a espiral deste mundo no espaço
em algum ponto da vida
gesta-se o futuro
de mim
que venho lá de trás
de outra geração
noutra hora do cultivo
Nenhum comentário:
Postar um comentário