Busco sempre o que é o centro de tudo,
e sou meio que sempre periférico.
Todas
aquelas árvores molhadas
pela
única lágrima secaram,
e
deteve-se o ritmo das marés
que
faziam a festa dos teus pés.
Todo
o capim cortante amarelou
à
borda de manhãs e voçorocas.
Traçaram-se
divisas entre nós,
retalhando
o universo com seus átomos.
Partimos
e voltamos, tons tantálicos
das
ausências de lá e das de cá,
borradas
nos redutos e nas fugas,
renovadas
em todo tempo velho.
Viemos
de outras horas, as melhores.
As
que se enlameavam do perene
amor
de amar em becos e sarjetas
e
sobreviver mais, sangue lavado.
Todos
os seres eram nosso ser,
amálgama
de lágrimas sozinhas.
Até
que nos restasse só um olho
no
lugar das paredes demolidas.
Colorimos
as perdas e ficamos
sempre
em todos os pontos de partida,
para
ninguém chegar perto do fim
e
das recordações desesperadas.
E
fazemos as vezes de ciclopes,
cada
um na própria solidão e juntos.
O
tato cego com que me contemplas
tem
dois sentidos e uma direção.
As
barricadas nunca serão sempre.
Hamilton Carvalho
