terça-feira, 30 de abril de 2013

Chá das 5


Já não tenho o amor assim,
ao embalo das palavras.
Quero um gole do teu chá
da tarde, enquanto me é cedo.

Só lembro porque relembro
na cadeia dos teus versos.
Então és antes de tudo:
cada  gole que te bebo,

cada lágrima que sugo.
Mas não valho nada, sei.
Nem o açúcar do teu choro,

nem o ritmo do que dizes.
O chá é tarde, e talvez
só a chávena que sujo.

Hamilton Carvalho