tua rua não é a que trafego
nem onde me trafico ao infinito,
com neblinas e sóis.
tua rua é de olhos paralíticos,
a minha é o movimento da matéria
e não esmorece no topo de sonhos
e arranha-céus,
tem voz quando se cala,
não se acaba em muros ou barricadas:
busca o vasto céu hegeliano
que se abre para além das nuvens.
a tua só ocorre se não chove,
e sempre meramente paralela.
Hamilton Carvalho
(31/8/2021)
