segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Soneto da quarentena


Sem você perco os sentidos, os cinco.

Fico até sem o sentido de ser.

Eu poderia perder até quatro

no total, sem ficar meio pinel,

 

a brincar com você cheio de tato.

Mas pondero: perderia até três,

só. O cheiro de você não é chanel,

que se leva no bolso ou na lapela

 

e tira o sentido do próprio olfato.

E o olfato tem algo a ver com o gosto,

não será mera válvula de escape.

 

Ficar sem vê-la e ouvi-la está posto.

Reclamo? Nem tentar. Vai que me diga

que para áudio e vídeo existe WhatsApp.

 

 

Hamilton Carvalho

(10/8/2020)