domingo, 4 de outubro de 2015

Gostei

Gostei.
Convivi com Edgard Allan, o Poe.
O que estragou foi Charles-Pierre, o Baudelaire,
com tradução de canoa sem seiva de cannabis,
em espécie de périplo paraguaio de Pedro Juan Caballero
com crianças babacas a bordo,
traindo o amante leminskiano de Rimbaud
que nunca se iludiu quanto a aicai ser verso livre.

Gostei, gostei mermo
quando Charles-Pierre, o Baudelaire, quebrou
a perna do albatroz, perfeito poeta em performance perfeita.
Só não gostei porque sei que Charles, o Pierre, comeu uma negra
e Rimbaud foi muito mal comido pelo amante leminskiano,
e assim a poesia ganhou Oswald de Andrade
na Semana de Arte Moderna
e Guilherme de Almeida traduzindo algumas flores, digamos
do mal.


25/9/2015
(Hamilton Carvalho)

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