William Shakespeare nasceu
em 23
de abril de 1564 e morreu em 23 de abril de 1616,
em Stratford-upon-Avon. Eis um velho poema e alguma referência:
RETORNO
Ah-ah, o outro que se vire
nas mãos do agiota Shakespeare.
Will, Will, que Stratford recolha
teus cansados gonococos,
porque ficamos blasés.
nas mãos do agiota Shakespeare.
Will, Will, que Stratford recolha
teus cansados gonococos,
porque ficamos blasés.
Um dia ela acorda, Will,
a exalar o ácido graxo
de um estômago senil.
Então dirás: “Sou palhaço.”
Como somos imbecis.
a exalar o ácido graxo
de um estômago senil.
Então dirás: “Sou palhaço.”
Como somos imbecis.
Era preciso que houvesse
uma bicota no escuro,
sem dentes e devaneios,
em teatro de bonecos:
o tálamo como palco.
uma bicota no escuro,
sem dentes e devaneios,
em teatro de bonecos:
o tálamo como palco.
Há toda uma estrada real
entre nós. E o vinho adúltero
alterado da estalagem.
E a peste. E o fogo e o feto,
e o fantasma de meu pai.
entre nós. E o vinho adúltero
alterado da estalagem.
E a peste. E o fogo e o feto,
e o fantasma de meu pai.
Somos como por acaso
no pátio escuso do mundo,
nas estrebarias de Áugias,
sob as vestes fedorentas
e mecenas da rainha.
no pátio escuso do mundo,
nas estrebarias de Áugias,
sob as vestes fedorentas
e mecenas da rainha.
Acaso. Nos bastidores o verso
incinerado. Eu me compro
ao preço vil do retorno,
mesmo no medo das pontas
atadas do vão destino.
incinerado. Eu me compro
ao preço vil do retorno,
mesmo no medo das pontas
atadas do vão destino.
Um dia ela acorda, Will,
e toda crepuscular,
à luz do longo abandono,
te ofertará tua, a própria
caveira.
e toda crepuscular,
à luz do longo abandono,
te ofertará tua, a própria
caveira.
(Hamilton Carvalho)
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