sexta-feira, 23 de junho de 2023

Pacto de sangue

                                                             [imagem Depositphotos]


Teus pulsos pusilânimes

me suprem de sangue morno.

A grama seca, o funchal, o pântano,

qualquer canto

em que me escorra e seja plasma morto

bebido em mandacarus.

 

Nem teus olhos,

nem teu nariz.

Tudo é deserto

em luxúria única,

com urubus e bundas

ou o perfume

da boca que não engulo.

Tudo no seu tudo

deserto

e sem vez.

 

Te amo de te amar,

embora me morda vampiro de mim.

E me encontro e me masturbo

quando a estrada que sigo não me segue,

e persegue.

 

E é quando não quero

a não ser tu.

 

O teu sangue morno

que me arranca do que serei.

 

 

22/6/2023

Hamilton Carvalho

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