segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Paralelas

 


 

tua rua não é a que trafego

nem onde me trafico ao infinito,

sob neblinas e sóis.

tua rua é de um mundo paralítico,

a minha é o movimento da matéria:

 

não se esgota no topo dos objetos

nem dos arranha-céus,

tem voz e tem comando,

seu fim não é o vislumbre de uma esquina,

pois busca o vasto céu hegeliano

que se pressente para além das nuvens.

 

a tua só ocorre se não chove,

e sempre meramente paralela.

 

 

Hamilton Carvalho

(31/8/2021)

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