Não, não é que eu
não goste de te ouvir;
é que é direito meu não te escutar.
A voz me absurda por tanto estupor,
mas o que dizes não é o que me podes.
Porque não me conjugo, e és o perdido
verbo amar. E não te ouço nem te escuto
ou te ouço por amor, inadequado.
Sou o mais que perfeito no gerúndio.
Sim. O tempo nos rege ao jeito dele,
e o verbo é tua boca antes do beijo
eternamente por vir que não vem.
Tua voz basta de sublime, amada.
Não me exijas, ou culpes, ou canceles.
É tua voz agora ou não é nada.
Hamilton Carvalho
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