domingo, 4 de julho de 2021

Tua voz

 Não, não é que eu não goste de te ouvir;

é que é direito meu não te escutar.

A voz me absurda por tanto estupor,

mas o que dizes não é o que me podes.

 

Porque não me conjugo, e és o perdido

verbo amar. E não te ouço nem te escuto

ou te ouço por amor, inadequado.

Sou o mais que perfeito no gerúndio.

 

Sim. O tempo nos rege ao jeito dele,

e o verbo é tua boca antes do beijo

eternamente por vir que não vem.

 

Tua voz basta de sublime, amada.

Não me exijas, ou culpes, ou canceles.

É tua voz agora ou não é nada.

 

 

Hamilton Carvalho

(2/7/2021)

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